Dizer que dói é claramente uso de palavras efémeras, palavras de que nada valem, porque dor é um eufemismo comparado com o que sinto. Não sei lidar. Talvez não saiba lidar com a vida em si, coisa que não se aprende com os livros. Sempre desejei vir a ter o que tenho hoje e, agora que aqui estou, sinto-me novamente insatisfeita. Não sei se é de mim, se serei uma eterna infeliz com a vida e as suas circunstâncias, mas perco-me facilmente no seu rumo e desespero entre quatro paredes.
O pequeno comprimido branco que tantos dias me auxiliou tornou-se banal. Falta-me vida, mas essa não se encontra num blister. Brando às paredes: diz-me as respostas! Mas elas não me ouvem, fazem-se de surdas e eu mantenho-me nesta eterna solidão.
Sinto que ninguém me compreende. Mas o que raio é que estou à espera, se nem eu me entendo?! Dói ser assim, dói pensar em conjunto de forma objetiva numa sessão de 50 minutos e pensar que está tudo bem outra vez. Mas não está, nada está. Estou presa dentro de um crânio feminino e não sei sair daí. Não sei só sentir, só viver... Que parvoíce.
Será que é este o significado de crescer? Envelhecer traz só mágoas? Quando tenho mais respostas, é quando surgem mais perguntas. Eu sei quem sou, eu sei o que valho porra! E se assim é, porque duvido tanto quando me olho ao espelho? Os meus olhos ficam baços, o meu cabelo perde o brilho e as olheiras são as minhas melhores amigas. Sinto que o meu corpo avaria, não sabendo sequer manter as suas funções vitais normais. Ora está calor, ora está frio. Ora esfomeia, ora enjoa. E o meu abdómen é uma eterna sinfonia tocada por orquestra filarmónica.
Toda a gente me diz que não estou bem. Eu sei! Não preciso que pessoas que mal me conhecem mo digam. Eu sei que, quando acordo de manhã, é a custo. A energia necessária para erguer o corpo do colchão é esgotante, como se o meu tronco pesasse uma tonelada. Ao mero pender das pernas e tocar com os pés no chão solta de mim um suspiro: "raios, mais um dia".
Apetece-me berrar asneiras, zangar-me com tudo. Não quero ser assim! Sou um ciclo constante, uma montanha russa de apenas duas fases: ora muito bem, ora pessimamente mal.
Queria que alguém me salvasse, o fizesse por mim. Porém sei que não é assim que a vida funciona. Isso seria ser cobarde, preguiçosa e egoísta. A vida é minha e o seu fosso também. Por isso tudo o que posso fazer é isto: desabafar entre palavras e esperar que melhores dias cheguem.
Sem comentários:
Enviar um comentário