Sinto que o meu toque é frio. Não parece ter poderes milagrosos de te aquecer a alma. Vejo-te assim à deriva, mas não sei o que fazer. Encontramo-nos os dois em barcos separados, ambos com um grande buraco negro no seu fundo, enchendo água a uma velocidade incrível. O destino é óbvio, mas estamos longe um do outro. Falando a verdade, pouco seria possível fazer, tratando-se de dois barcos quase afundados. Queria remar para terra o mais rápido possível, puxando-te comigo. No entanto, olho para os meus braços cansados e sinto-me sem forças. Tu estás igual, dorido e doloroso. Queria fazer tanto por ti, meu querido, entregar-te todo um mundo aos teus pés. Mas não sei como, nem sei por onde começar.
Vejo um Tu, uma versão diferente, que pareço desconhecer. Como assim? Pensei que te conhecia, ou pelo menos começava a conhecer. És a única pessoa que realmente quero aprender a ver até aos confins, porque sinto que mereces, porque a tua vida dava um filme de suspense e mesmo assim saías vencedor e com um ótimo final. Mas onde está essa garra que aprendi a gostar? Onde está o amor da minha vida que luta e luta, que mantém um sorriso no rosto e uma palavra amiga ao fim do dia? Cansei-te com as minhas lamúrias? Foram as minhas inseguranças que foram desbastando essa enorme parede de confiança, consolo e compreensão? Levei-te finalmente à loucura?
Estas questões provocam o pânico no meu ser. Culpo-me sempre, por tudo e por nada, o instinto é esse. "Foste tu que o mudaste; ele não era assim antes de ti; ficou triste porque estás sempre depressiva ao lado dele, já dizia o outro!" Calem-se vozes do demónio! Esta voz não tem permissão para falar, quando a vontade de virar costas e barricar dentro duma bolha é tão grande!
O meu querido não é assim. O meu querido é o meu acordar de manhã, o meu beijo de boa noite e a companhia dos almoços em casa. O meu querido é o ressonar de boca aberta mais querido que já vi, o sorriso matreiro mais reconfortante e o abraço mais apertado. Esta pessoa incrível preciso de mim, no preciso momento em que sinto que preciso dele. Mas eu preciso sempre tanto dele! Nunca há momento estável nesta minha cabeça recheada de pensamentos nefastos. Quem me dera que a negatividade não fosse a primeira coisa que me passa por entre estes neurónios.
Porém tenho que trazer a força ao de cima. Está na altura de deixar os pensamentos negativos de lado e ajudar quem não vê os seus por detrás das nuvens da tempestade. E não há mal nisso, vou continuar a tratar das minhas nuvens, enquanto sopro as do meu querido.
Anda cá, dá-me um abraço.
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