Com certeza já ouviram falar da expressão "quem nunca pecou que atire a primeira pedra". Não é que eu seja cá muito de religiosidades ou devota a alguma crença específica, mas acho curioso como, se isto fosse dito no Facebook, apareciam vinte mil marmanjos em 0.25 segundos a desbaratar sobre como o próprio ato de atirar uma pedra já é pecar ou como todos eles são bons samaritanos.
Por trás de um teclado usado a dedos rápidos e do belo mundo virtual que espelha apenas o que queremos demonstrar, vivem todos os ogres e os maus da fita que se esconderam em embrenhadas histórias de contos de fadas, as quais já parecem verdadeiras aos mesmos.
As nossas hoje queridas redes sociais tornaram-se em mentiras ambulantes que usamos para nos representar ao mais elevado nível de perfeição. Vamos ser honestos, esta expressão devia ser mudada para "quem nunca tirou 46.7 fotos ou adicionou efeitos antes de escolher a de perfil que atire o primeiro comentário depreciativo"!.
A meu ver há dois tipos de pessoas nas redes sociais: as espectadoras passivas e os comentadores agressivos. Ora, quando digo agressivos não falo em violência em si e sim na sua necessidade quase compulsiva de deixarem a sua marca em quase todos os perfis dos seus "amigos" facebookianos. As primeiras talvez sejam tão más quanto as segundas, o comentário depreciativo não fica publicado mas permanece gravado na memória para mais tarde usar se for necessário humilhação pública. Seremos sinceros agora também: nunca é, mas há pessoas que insistem em fazê-lo. Por outro lado, as segundas são ou muito chatas/repetitivas ou o teu Relações Públicas que precisa de manter a tua "imagem".
A coragem cresce quando a distância física aumenta. Verdade. No meu caso, isso resultou em conhecer alguém sem ter medo de ser eu. No entanto, não podia deixar de ter conhecido o lado mau também, os ditos corajosos que pessoalmente passavam despercebidos se lhes passasse ao lado na rua. Porém, aqui em pleno mundo virtual, fazem-se de meninos crescidos que exigem tudo e mais alguma coisa de alguém que não conhecem.
Ensinamos desde sempre às crianças que mentir é feio. Ensinamos também que não faz mal ter um smartphone aos dez anos de idade, mas que não podem ter perfis verdadeiros nas redes sociais. A mim parece-me contraditório... Serei a única a achar isso?
Sem comentários:
Enviar um comentário