Os comentários queimam na pele
como brasas acesas. Ela não pensa antes de falar, nunca pensou. É quase coisa
de criança e não de quem devia ter mais maturidade para discernir o que é
apropriado ou não de atirar à minha cara. Dói como nenhum outro comentário antes
doía. Desta vez atingiu a parte sensível. Não fiquei de ouvidos moucos nem me
abstraí da conversa como sempre tenho a mania de fazer (é mais fácil desligar
quando ela fala pelos cotovelos, costumo até acenar como se estivesse
verdadeiramente interessada, atirar ao ar uns “sins” ou “nãos” e concordar com
coisas que provavelmente não concordo mesmo nada). Talvez isto soe algo
insensível, mas há pessoas que abusam da nossa paciência e sempre ouvi dizer
que “o melhor remédio é ignorar”.
Senti o comentário rasgar o meu
coração como uma faca que corta manteiga. “Desta vez foi longe demais”, digo a
mim mesma, “desta vez não perdoo”. Mas sei que isso é mentira. Considero o
feito infantilidade dela, considero que a culpa não pode ser dela de ser tão
irracional neste aspeto. Desculpo-a mesmo sem dar conta. Ela não merece, eu sei
que não. Pelas vezes que fui esfaqueada verbalmente, já eu estaria
psicologicamente morta. Mas eu ignoro, ela própria me ensinou isso. Olho para
ela, em perfeito silêncio, com um olhar fulminante que a quer queimar tanto
como ela me queimou a mim. Ah, se merecia… Mesmo assim, não posso. É ela, ela
tem sempre desculpa, ela não tem culpa de nada. Sei que no fundo tem. Não é uma
miúda, sabe que o que diz tem consequências. Mas talvez não saiba quais? Eu
perdoo novamente. Vou considerar que é uma criança. Mais nova que eu, 6 anos
talvez, não sabe o que faz. Deus sabe que age como uma. Uma criança que criou
uma criança.
Nestes momentos, em que me sinto
sem qualquer poder é que percebo como a vida é injusta. Vai haver sempre alguém
melhor que tu em tudo, alguém que mande em ti, alguém que te odeia, alguém que
te quer ver no fundo do poço. Principalmente, vai haver alguém que duvida inteiramente
de ti. O meu conselho é: manter a calma. Sim, é difícil e quase impossível.
Claro que vai custar, é mais simples mandar alguém pastar do que acalmar, mas
tu consegues.
Esta minha criança é alguém que
se ofende facilmente, com ela ganhei o dom da paciência. Não posso simplesmente
ser má para ela: ela merece e, ao mesmo tempo, não merece. Eu sei que os
comentários vão continuar a sair daquela boca amargurada pelos anos. E também
sei que me vão continuar a magoar. Tudo porque eu a amo. O que ela pensa de mim
importa. Mas se sobrevivi até agora, tudo é possível. Talvez ela mude um dia e,
novamente, talvez não…
Depois da nossa conversa, as tuas palavras agarram-me ao ecrã. Merecido blog que merecia reconhecimento. Adorei, adorei. Parabéns princesa!
ResponderEliminarhttp://umaviagempelaminhaloucura.blogspot.pt/
Obrigada princesaaaaa!
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