Curioso como estar do outro lado dá uma perspetiva totalmente nova da vida. Não ser o coração partido, mas sim aquela que reconforta quem o tem em pedaços. Gostava de poder fazer mais. Mostrar o quanto tudo pode ser destruído e reconstruído as vezes que quisermos. Somos humanos e não haverá, com certeza, espécie mais persistente que o teimoso do ser humano. Desejava poder extrair as minhas memórias e colocá-las num DVD, permitir que outros as vissem, em prol da aprendizagem. Não que eu, sendo uma recente maior de idade, tenha muito para ensinar, mas acho que sempre tentei ver o lado positivo das coisas e prosperar, em vez de ficar à espera daquilo que pode demorar eternidades e mesmo nem vir. Não me cabe na cabeça o facto de as pessoas ficarem à espera de tudo. Está bem que cada um é como foi ensinado e educado ao longo dos anos da sua existência, só que fico confusa como podem permanecer quietos e ver tudo ruir lentamente. Há que trabalhar porque, por mais cliché que seja, nada se faz sem esforço. Dinheiro não compra corações, só avarezas.
Queria poder incendiar todos os corações à minha volta como o meu está, em chamas. Amava ligar a luz, que se acendeu na minha mente, a todos os outros que se encontram apagados. Não há como descrever este sentimento de plenitude, de que tudo está bem e que assim ficará. Nada é eterno, é estúpido pensar dessa forma, porém esse tipo de segurança, calor e carinho, é o combustível para os nossos corpos singelos que, sem isto, não têm vida. Queria mostrar como é possível esquecer, ainda que não completamente, cenas e cenários que fazem parte deste teatro infernal que é a vida. Não é tudo meloso como um conto de fadas, há discussões e mais discussões, turras, maus momentos... E, no entanto, não posso dizer que isso seja, de todo, algo mau! Porque é com o fazer as pazes que nos tornamos tão mais unidos, tão mais conhecedores um do outro, tão mais percetíveis de quem nós próprios somos. É díficil perdoar e ainda mais ser perdoado, mas tudo isso se aprende com uma relação que quer funcionar.
Amo os pequenos momentos de sorrisos que tudo dizem, de olhares que falam por si próprios, de silêncios que gritam mais que a própria voz. O amor é uma coisa estranha e nunca é perfeito. Claramente, a perfeição ficou à porta quando este foi feito. E, mesmo assim, se não fosse o amor, a vida não tinha significado nenhum. Digam isso aos eremitas que nunca conheceram o que é viver.
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