Lamento. Ignorei o problema quando ele estava tão presente. Podia até culpar a minha juventude e a falta de sabedoria ou discernimento adjacentes à minha idade, mas nada disso perdoa o que fiz. Não estava lá por ti e lamento com todas as minhas forças. Custa-me ver o teu sofrimento num momento destes. Estás presente em tantas memórias da minha vida, acompanhaste o meu crescimento ao longo destes quase 18 anos e ajudaste-me a ser quem sou. E, no entanto, fui cobarde e, quando podias estar nos teus últimos dias, enchi-me de medo e esperei pelo melhor.
É verdade que nada podia fazer senão rezar (mesmo que não acredite num Deus) para que recuperasses depressa, mas continuar com a minha vida como se nada fosse foi um dos piores erros da minha vida e tenho que viver com isso.
Hoje visitei-te. Acredito que nem saibas que lá estive, apesar de te observar por mais de uma hora. Mas não importa, segurei a tua mão, acariciei a tua linda face cravada de rugas e sussurrei-te ao ouvido o que acredito ser verdade: é só mais uma fase. Passaste por tanto e não é isto que te vai desmoronar. Eu sei que a idade não perdoa, mas quem diria que chegarias tão longe sequer. É por isso que não vou perder a esperança que tenho na tua recuperação.
Doeu-me por dentro ver como estavas. O teu lutar por formar palavras e não conseguires, a dificuldade em respirar, a constante súplica gestual para te tirarem dali. Pior era não poderes ver com os maravilhosos olhos com que nasceste.
Era nestes momentos que queria acreditar em algo superior a mim mesma. Acreditar que Deus tem o teu caminho traçado e que tudo ficará bem. Mas não acredito e a única coisa que posso fazer é esperar. Como odeio esperar! Eu quero-te bem! Quero que vivas mais 88 anos se for preciso! Quero que estejas lá no dia do meu casamento ou que conheças os meus filhos... Eu sei que é pedir muito, já não sou a criança que viste crescer e muito menos ignorante. E é egoísta da minha parte, mas não podes ir embora agora! Preciso de ti, não estou preparada para não te ter na minha vida.
Por isso, força avó! Eu adoro-te.
Sem comentários:
Enviar um comentário