Dou-te a minha mão. Não me custa estender um simples membro quando precisas tu mais dele. Mas tu enxotas a minha ajuda, acreditando que de nada vale. Aí, caio eu e tu, caímos as duas na mesma escuridão.
Como podes achar que sofres sozinha? Que idiotice. Como se me nada significasses, como assim? E isto deixa-me furiosa, possessa, contra o mundo! Quem te fez acreditar que o teu sofrimento era só teu? Que estás sozinha e essas lágrimas são silenciosas? Elas gritam mais alto do que alguma vez sei que o farás. Elas chamam-me de outra cidade, numa demanda de te arrancar um sorriso perdido. Não compreendes? Que eu e tu somos da mesma carne, somos da mesma origem, somos nós duas.
Eu estou aqui... agarra na minha mão, por favor. Agarra-te à minha felicidade, eu dou-ta. Fico eu com as tuas lágrimas, não me importo, troca por troca e fico eu infeliz. Ainda não compreendes? Que te vejo acima de mim? Que te quero melhor que eu?
Anos e anos que passaram no mesmo esquema, eu aqui sem poder fazer nada e tu aí sem nada a que te agarrares. Como me sinto impotente e miserável ao deixar que o tempo passe sem conseguir mudar nada. Olha para mim, para os meus olhos, vês como choram? Como pousam no vazio e olham durante tempos infinitos? Esse sofrimento já é meu. Por mais que fuja, não consigo escapar a isto. Porque somos nós as duas, eu e tu, e mais ninguém. Se fosse outra, eu renunciava à responsabilidade e escondia a culpa. Mas aqui? Connosco? Não consigo. Sou eu e tu contra o resto, mas tu não me deixas entrar e lutar contigo. Ajuda-me a ajudar-te a carregar esse peso todo, porque com duas fica mais leve. Eu gosto tanto, mas tanto de ti. Por favor.