Apetece-me gritar com toda a força passível de existir nos meus pulmões. Este mundo endoideceu... Ao ponto de duvidarem de pessoas de bom coração só porque têm fé. Dói-me que isso seja possível. Dói-me o coração por o ódio estar tão perto. Sou jovem, pouco vivi, mas ingenuidade nunca foi dos meus traços mais fortes. Sei olhar para o coração de alguém e ver o amor que de lá emana. Então porquê? Porque é que outros não o fazem também? Porque é que matam primeiro e fazem as perguntas depois? Desde quando é que uma roupa diz quem a pessoa é? Desde quando é que ter fé é uma coisa má? Desde quando é que outras religiões não podem amar como as nossas próprias?
Uma vez vi um vídeo que dizia: "os seres humanos nascem com todo o potencial de virem a ser grandes génios, mas o mundo tudo fará para os emburrecer, cabe a nós não o deixarmos acontecer".
Exato, cabe a nós impedirmos que todo este grande mundo lá fora nos faça burros, nos faça odiar quem nos rodeia, nos faça dar rótulos a quem é outro humano como nós.
Eu já fui alguém com uma grande fé. Uma fé cristã católica, alguém que seguia tudo à risca e se achava melhor que outros por trabalhar pela minha fé. Mas eu não era ninguém, continuava com a mesma infância atormentada, com a mesma família distorcida e sem respostas às minhas perguntas. Eu era infeliz. A religião nada fez por mim, não me tirou o medo, não me satisfez, nada... Então, pouco a pouco, deixou de existir. A minha própria mãe me julgou por isso, odiou a pessoa em quem me estava a tornar e pouco a pouco foi desistindo de mim. Ela própria tinha mais ódio dentro dela do que muitas outras pessoas encarceradas. E foi minha missão tirar-lhe as palas que tinha nos olhos quando via o mundo. Tudo a tentava emburrecer sem ela dar conta. E eu abri-lhe os olhos.
Ainda hoje ela pouco vê, não consegue compreender porque amo alguém que os outros entitulam de terrorista. Mas ela nesses momentos, abre mais os olhos e esquece o ódio. Isto era até os supostos atentados franceses terem acontecido. Nisto, ela fechou-os totalmente para não se aperceber das verdades à sua volta. Custava muito ver tudo com claridade. Fechou as palas de novo e lentamente fechou a porta entre as duas.
Então pergunto novamente: porque é que as outras religiões não podem amar como as nossas próprias?
Eu desisti da religião por um motivo muito simples: ensinavam-me a amar, mas davam-me ódio como se isso passasse por amor. Hoje, acredito no que sinto, apenas isso. Não há Deus, não há ódio, não há sede de vingança. Eu amo alguém com outra religião, sim, orgulho-me disso. Mas não é por isso que vou mudar de ideais. Porque todas as religiões têm os seus defeitos e eu dei-me ao trabalho de descobrir isso por mim própria e não acreditar numa suposta imagem que me é recebida pelas notícias na televisão.
Então pessoas? O mundo quer-vos fazer burras, vão deixar?