Esta é a última vez que me dirijo a ti. No início, podia jurar que ódio seria uma palavra demasiado forte para ti, que era só desprezo e um nojo pela tua falta de amor-próprio. Até pensei que chegarias à mesma conclusão que eu - que nada do que dissesses me faria mudar de ideias e que isto era o fim.
Mas os dias passaram e tu insistias, o meu desprezo começou a crescer, olhei para o passado e apercebi-me do quão pouco me significas, que és só um empecilho e que por mais manipulação que me fizesses, eu nunca iria ceder.
Tu, por mais chato e insistente que fosses, nunca irias ter mais uma oportunidade. Tu és um péssimo ser humano, não respeitas o que te peço e perdeste todo o respeito que eu poderia ter por ti. Nem sei sequer porque me estou a preocupar com isto, talvez seja a minha maneira de fechar o capítulo, mas estou aqui a escrever, cheia de raiva, a pensar no que não foste para mim, no tempo que desperdicei quando podia ter estado a aproveitar tão mais a vida.
Pois bem, fica aqui o apelo pelo mínimo do teu orgulho que reste. Pára, pensa na tua vida e, se queres pensar em mim, pensa em como eu não sou feliz com essa tua teimosia, em que, se em tempos era fofa, agora é merda. Desculpa a sinceridade, mas depois de tanto tempo e de tantos SMS bloqueados que apareciam no meu telemóvel, a minha cordialidade ficou à porta.
Só de ver o teu nome, uma onda de náuseas cobre-me de cima a baixo. Ódio é realmente a palavra certa para descrever a tua escolha de atitudes. Até os amigos em comum que tenho contigo ficam na dúvida, quem apoiar?
Tudo o que tinhas de positivo saltou, quase literalmente, de um prédio abaixou e morreu, sim, porque restaram apenas os defeitos de que nunca gostei.
Talvez este pequeno testamento finalmente te espete nessa tua cabeça oca que não existe mais eu e tu, aliás, agora que penso nisso, nunca houve, era ilusão minha, tentando recuperar o coração que tinha perdido há pouco tempo. Só por isso peço desculpa, o resto - tu mereces.
