Amei-te. Contra tudo o que achava possível, amei mesmo. O meu coração estava partido em vários pedaços já, mas parti-o mais uma vez só por te amar. Descrever a forma como o meu carinho por ti cresceu é o mesmo que tentar explicar porque as estrelas marcam os céus à noite - é complicado.
Comecei por nem te achar nada de especial. Claro que captaste a minha atenção desde o início, foste um dos poucos afortunados a fazer o tal clique que tanto faz falta na atração humana, mas não passavas de um rapaz um pouco atraente, ao qual ainda não tinha sido atribuída nenhuma qualidade à personalidade porque ainda não te conhecia.
Tenho que dizer que a primeira coisa por que me apaixonei foram os teus olhos. Parecia que tudo viam, como se me olhassem por dentro e vissem todos os meus defeitos ou inseguranças. Mais tarde vim a saber que não, mas nessa altura ainda sonhava com o que podíamos vir a ser.
A seguir foi esse sorriso contagiante. Ah, como me apetecia sorrir só de ver essa tua constante felicidade! Essa alegria que parecia inerente à tua forma de viver, ao facto de seres jovem... Toda a gente dizia que sorrir era contigo, que eras feliz. Talvez tenha sido isso a atrair-me e não o conjunto de belos dentes em si (mesmo que fosse o conjunto mais branco que alguma vez tenha visto). Queria ser feliz também e, honestamente, queria preencher o vazio que há tanto tempo me dominava. Pode até ter sido um gesto egoísta da minha parte, mas queria um pouco da tua felicidade.
Pouco tempo depois, apaixonei-me pelos teus defeitos. Devo dizer que no início foi difícil, eras tão teimoso quanto eu, se não mais! Fazias-me lutar contra os meus demónios e aceitar-te como eras. E, no entanto, amei-os tanto quanto amei tudo o resto.
Agora sinto-me apenas estúpida por te querer ao meu lado. Esse teu cheiro está cravado na minha memória como o meu perfume favorito e não há nada que o substitua. O teu toque aveludado faz agora parte da minha pele. Porém, nada disto importa mais. As memórias continuam cá como episódios que eu revejo constantemente, mas nada mudou e muito dificilmente mudará.
Em tão pouco tempo, vim a criar uma ternura enorme por ti. Chamarem pelo teu nome ou pela simples alcunha que te foi dada pelos teus amigos era música para os meus ouvidos. E enerva-me sentir o que quer que seja quando claramente não passaste pelo mesmo processo que eu em relação a ti.

