Tantas palavras mantidas cá
dentro que lutam por fugir dos meus lábios. Palavras que magoam demasiado o
receptor e que são como bombas-relógio, à espera do momento ideal para
rebentarem. O meu problema é esse. Eu sou uma bomba-relógio permanente. Tudo é
compactado cá dentro, o mais ínfimo problema que eu não quis expor. Não é que
seja propositadamente, mas fico à coca de um momento surreal, de pura
felicidade, para estragar tudo.
É inevitável as palavras saírem.
Mais cedo ou mais tarde, elas vão estar fora da boca, vão arranhar a garganta à
saída e secar os lábios com a sua friúra. Palavras que certamente matariam se
pudessem, já que os pensamentos o fazem.
No fundo são os sentimentos engarrafados há tempo demais que se querem libertar, tanta é a pressão que fazem cá dentro. E saem na forma de dolorosos gritos que se transformam em garras que rasgam a carne de quem as ouve. Como podem simples frases magoar tanto? Pois bem, um dos meus piores defeitos será sem dúvida o saber logo de início os pontos fracos das pessoas. Vendo só assim, não seria um defeito, mas é o aproveitar-me deles nestes momentos que o torna numa coisa sórdida e intolerável. Inconscientemente, destruo o que tenho de bom à minha volta. Ah, palavras da minha boca! Se pudessem permanecer no silêncio... E, apesar do silêncio ser a palavra de ordem, sabe tão bem quebrar as regras.