domingo, 5 de novembro de 2023

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 Por vezes sinto-me perdida. Não sei em que momento estou. Vejo-te a uma distância de kilómetros e não consigo compreender o porquê. Questiono às paredes se serei eu. Porém, não me vejo diferente, não me vejo gelada ou esquiva ao toque. Vejo-me a mim, como sempre fui. Mas tu estás diferente. Não reconheço os teus olhares, ou mesmo a falta deles. Quem será essa pessoa, que te ocupa os lábios e as palavras, que diz seres tu e não és?

Sinto-me perdida. Queria-te compreender e não consigo. Estou à deriva, como nunca estive antes. Porque te conheço e não conheço, porque sei o que esperar e, ao mesmo tempo, choco-me com as tuas ações. Quem serás tu, meu querido? Porque mudaste tanto?

Diz-me o que pensar, o que formular nos meus pensamentos. Para não me encher de pânico os dias - as inseguranças crescem como fogo com oxigénio e aqui fico eu, à deriva. Levanta-me este peso da cabeça e dos ombros. Porque neste momento, não sei quem és. E, assim e por consequência, começo a perder noção de quem sou também.